sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Trabalho Escrito - Textos

Conceito de Qualidade de vida


Problemas Especiais ou Peculiares

Crises ocasionais ou leves e efeitos colaterais infreqüentes ou toleráveis podem ser considerados aceitáveis pelo médico e inaceitáveis pelo paciente. Além disso, pessoas com epilepsia têm maior incidência de problemas psicossociais e psicopatológicos.
Uma pessoa que tenha tido duas crises e receba o diagnóstico de epilepsia pode ter problemas de QVAS. A duração do tratamento é geralmente longa, as DAEs precisam ser tomadas várias vezes ao dia e podem causar efeitos colaterais que influenciam o dia-a-dia da pessoa, com conseqüências psicológicas e sociais enormes. Essas pessoas podem ter a percepção ou realmente ter limitações em oportunidades sociais, educacionais e de emprego, assim como na direção de veículos e dificuldades de transporte. Além disso, atitudes familiares e sociais mantêm ou provocam baixa auto-estima e dependência, estigma, discriminação e restrições.
Ao se avaliar a epilepsia, portanto, devem-se considerar os problemas sociais, psicológicos e comportamentais, além dos óbvios problemas físicos.


Problemas Físicos

As crises epilépticas aumentam o risco de contusões, lacerações, fraturas, entorses, queimaduras e afogamentos, assim como o de morte súbita.
DAEs podem causar efeitos físicos tais como hiperplasia gengival, sedação, náusea, visão dupla, tremor, hirsutismo, ganho de peso e outros. Alguns desses efeitos são sutis e podem passar despercebidos pelo paciente. Outros são intermitentes, enquanto outros, ainda, são contínuos ou crônicos. Medidas de QVAS mostram alterações em pessoas com efeitos adversos neurotóxicos ou sistêmicos.


Problemas Psicológicos

Pacientes com epilepsia têm maior prevalência de distúrbios comportamentais (depressão e ansiedade) e problemas cognitivos (alterações de memória e nomeação).


Problemas Sociais

O diagnóstico de epilepsia pode ter conseqüências nefastas para as atividades de adultos e crianças. Alguns pacientes ficam apreensivos com relação a casamento (anticoncepção, fertilidade, gravidez, malformações congênitas e cuidados dos filhos), e com oportunidades limitadas de trabalho e suas conseqüências.


Medidas Atuais Disponíveis na Literatura

Há múltiplas escalas para se avaliar problemas cognitivos e comportamentais: Minnesota Multiphasic Personality Inventory (MMPI) e Washington Psychosocial Seizure Inventory (WPSI), entre outros. Na avaliação de QVAS em epilepsia temos o ESI-55 (Epilepsy Surgery Inventory) e a bateria de Liverpool. Além dessas escalas, há versões de determinados países (versão alemã) e modificações para crianças e adolescentes.
Nos ensaios terapêuticos com drogas, geralmente, não há diferenças estatisticamente alcançadas, seja pelo efeito discreto do tratamento na qualidade de vida, seja pela baixa sensibilidade das variáveis ou pelo tempo curto de intervenção para provocar mudanças importantes.
Um aspecto problemático é a adaptação cultural e a tradução dessas escalas, necessitando sempre de uma validação para sua interpretação adequada.


Conclusão

Não há, no momento, um consenso sobre como medir QVAS em epilepsia. Há várias escalas enfatizando aspectos gerais e específicos, tais como efeitos de medicação ou de cirurgia para epilepsia. O contexto social, cultural, as necessidades e percepções em diferentes faixas etárias (infância, adulto e senilidade) são fatores que dificultam a uniformização dessas escalas. Além disso, o longo tempo de aplicação das escalas implica em procedimento de alto custo, o que dificulta o caráter investigacional.
De qualquer modo, ao se propor um novo método de intervenção tal qual o uso de um novo fármaco, impõe-se a mensuração com escalas de QVAS. Provavelmente, num futuro próximo, na prática clínica, as questões de QVAS em epilepsia serão tão rotineiras quanto as relacionadas ao controle das crises.
Por ora, nada substitui o bom senso do médico ou da equipe multidisciplinar que atende o paciente com epilepsia.

Trabalho Escrito - Epilepsia

Conceito de Qualidade de vida

O conceito de qualidade de vida (QV) aplicado à saúde (QVAS) freqüentemente se baseia na definição proposta pela Organização Mundial de Saúde: a percepção individual do bem-estar físico, mental e social. Apesar de disponível há várias décadas, esse conceito tem sido cada vez mais utilizado na avaliação de condições crônicas, principalmente relacionadas às novas modalidades terapêuticas.
QVAS em epilepsia aborda três dimensões:

1. Saúde física (função diária, saúde geral, freqüência e intensidade de crises e efeitos adversos de medicações);

2. Aspectos mentais (condição emocional, auto-estima, percepção de estigma, cognição, ansiedade e depressão);

3. Aspectos sociais (conjunto de atividades sociais, no âmbito do trabalho, família e amigos).

QV é conceituada pela visão do indivíduo em como ele se sente e funciona, independentemente dos parâmetros médicos e baseando-se principalmente em sintomas.
A avaliação médica clássica dá prioridade à intensidade de crises e aos efeitos adversos da medicação antiepiléptica. Muitos médicos consideram uma crise parcial complexa ou uma crise tônico-clônica anual, assim como efeitos colaterais "leves", como resultados "bons" ou "aceitáveis". Por outro lado, muitos pacientes consideram essas condições "ruins" ou "inaceitáveis". Esses dados demonstram que QVAS em epilepsia vai além dos sintomas.


Problemas Comumente Associados à Epilepsia

Epilepsia é um modelo de condição crônica em que os aspectos psicossociais podem ser proeminentes. O estigma da epilepsia, a situação socioeconômica e a vida independente - dirigir veículos, opções de trabalho, atividades lúdicas ou esportivas e uso de bebida alcoólica - podem ser afetados pela condição.


Medidas Quantitativas de QV

A correlação entre a avaliação do paciente e a do médico quanto muitas vezes não é concordante.
Medidas de QVAS complementam as tradicionais avaliações de controle das crises e dos efeitos adversos das DAEs (Drogas Antiepilépticas). A quantificação atualmente é um desafio, pela falta de definição de QVAS, falta de objetivos claros e validação de escalas em diferentes grupos etários, socioeconômicos e culturais, além de instrumentos específicos adequados. Para exemplificar essa última colocação podemos lembrar que as escalas para avaliar DAEs são diferentes das que avaliam resultados cirúrgicos. Aqueles pacientes podem ser de fácil controle medicamentoso, enquanto os últimos são, geralmente, refratários à medicação. Assim, a problemática da maioria dos pacientes em que as crises não controladas são relativamente raras é diferente da dos pacientes com epilepsias refratárias em que se impõem restrições às atividades básicas do dia-a-dia.

Trabalho Escrito - Textos

Cães que prevêem ataques Epiléticos


Cães prevêem ataques epilépticos e alertam seus donos
Eddie é um cão de três anos que foi abandonado no Centro de Resgate Sheffield por causa de sua natureza energética que causou muitos problemas para seus donos anteriores. No entanto, é exatamente isso que faz dele perfeito para o seu novo trabalho como um cão de alerta a ataques epilépticos.
A entidade de suporte a cães Sheffield é a única no Reino Unido que treina cães de alerta. Ao contrário dos cães guia para surdos e cegos, a função dos cães de alerta não é apenas ajudar, mas também prever.
Pessoas que sofrem de formas graves de epilepsia podem sofrer convulsões na qual perdem a consciência, caem e podem se machucar seriamente.
Os estudiosos não sabem como os cães podem perceber que uma crise está prestes a ocorrer, mas existem três teorias: na primeira hipótese, pode haver micro expressões que o cão entende que precedem um ataque, ou pode haver um cheiro especial ao qual o cão é sensível e, finalmente, pode ser que o cão senta perturbações no campo elétrico que são causados por um ataque.
Eddie é 100% preciso. Vale à pena destacar que pessoas que têm o cão de alerta às vezes passam a ter menos ataques, com efeitos mais atenuados, graças à segurança que o cachorro proporciona. Pessoas alegaram ficarem mais relaxadas por terem o apoio do cão.
O cachorro da senhora Toni Brown-Griffin, AJ, lambe sua mão esquerda obsessivamente cinqüenta minutos antes de uma crise maior. Quando a crise é menor, ele dá um aviso quinze minutos antes, lambendo a mão esquerda três vezes antes de por a pata nela.
É uma forma de poderem levar uma vida normal com tempo suficiente para ficarem seguros antes de um ataque.
Explicação da doença em animais:
“Mudanças repentinas de humor, falta de apetite, tremeliques. Sintomas aparentemente inofensivos podem anunciar uma doença mais comum do que se imagina: a epilepsia. Animais de várias espécies sofrem desse problema há milênios e ainda não há uma cura definitiva. Existem, porém, tratamentos que aumentam a qualidade de vida do pet se o diagnóstico for feito precocemente.
Caracterizada por crises convulsivas – desordem elétrica no córtex e no subcórtex cerebral – que acontecem repetidamente em pequenos intervalos de tempo, a epilepsia é mais comum em cães do que em gatos. O veterinário Ragnar Franco Schamall explica que os cachorros são mais suscetíveis às doenças que provocam convulsões e apresentam um histórico maior de epilepsia idiopática, ou seja, herdada dos antecedentes.”

Resumo:

Assim como os humanos os animais podem sofrer com a epilepsia, muitas vezes o dono desconhece o problema no animal por falta de conhecimento, de diagnóstico e as vezes por não perceber tanto os efeitos. Os animais podem herdar das gerações passadas a ele o problema. Alguns sintomas de crises em animais são: alteração de humor, falta de apetite e outros problemas.

Trabalho Escrito - Textos

A Genética da Epilepsia


Mutações genéticas associadas à epilepsia
Fonte: Nature Genetics, 29/03/2000


Cientistas descobriram mutações em um gene do canal de sódio que regula a atividade elétrica nas células nervosas, o qual pode ser causa de um ou mais tipos de epilepsia hereditária.
Em um artigo publicado na Nature Genetics, pesquisadores da Universidade de Michigan descrevem suas descobertas sobre duas mutações diferentes em um gene denominado SCN1A, encontrados em amostras de DNA de duas famílias com uma forma hereditária de epilepsia. Se mutações existirem em pessoas com outros tipos hereditários de epilepsia, um teste genético poderá identificar bebês sob risco, pois o tratamento prematuro pode prevenir convulsões e danos neurológicos em potencial, conforme afirma Andrew Escayg, Ph.D., autor do estudo.
Muitos genes estão envolvidos no processo de epilepsia. Fatores ambientais também são importantes. Inicialmente, estudaram-se as mutações em um gene relacionado em uma linhagem de camundongos de laboratório com desordens convulsivas. Utilizando informações do Genbank (base de dados ligada ao projeto Genoma), foi possível localizar o código genético do gene SCN1A humano. Foram encontradas mutações neste gene em amostras de DNA originárias de uma família francesa com uma forma hereditária de epilepsia denominada GEFS+ Tipo dois (epilepsia generalizada com convulsões febris tipo dois).
Crianças abaixo de seis anos com este tipo de epilepsia têm convulsões quando com febre alta. As convulsões, neste caso, não cessam na infância e os indivíduos ainda as apresentam mesmo na ausência de febre. Conforme se tornam mais freqüentes e severas, estas convulsões podem trazer dano neurológico permanente.
Amplamente expresso no sistema nervoso central e periférico, o SCN1A é o código genético para o canal de sódio (minúsculos poros que se abrem para permitir a entrada de íons sódio na célula nervosa), encontrado em neurônios. Se o canal não funcionar apropriadamente, o neurônio é exposto a estímulos elétricos anormais. Os genes para o canal de sódio determinam o nível de excitabilidade do neurônio.
Convulsões epilépticas são desencadeadas por neurônios supracitados. Como as mutações do SCN1A estão localizadas nas regiões positivamente carregadas da molécula, acredita-se que afetam a habilidade desses poros de se abrirem e fecharem-se normalmente. Os canais de sódio são tão essenciais para a vida que os humanos têm 10 genes diferentes dedicados à regulação do processo (alguns controlam a passagem de sinais elétricos em células musculares, alguns em células cardíacas e outros em neurônios). Estes genes foram preservados através dos períodos de desenvolvimento evolutivo. De drosófilas (mosquito das frutas) a humanos, a organização do DNA é idêntica.

Resumo:

A epilepsia ocasionada por meios hereditários pode ser causada em decorrência de mutações genéticas.Uma criança que sofre desse tipo de mutação genética se tem por exemplo febre muito alta acaba tendo uma crise.

Trabalho Escrito - Textos

Artigo: Epilepsia na Religião

STJ mantém condenação da Igreja Universal a pagar indenização a aposentado o ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), manteve a decisão


STJ condenou a Igreja Universal do Reino de Deus a indenizar, em 50 salários mínimos, Higino Ferreira da Costa. Aposentado devido à epilepsia, Costa acusa a Igreja de agredi-lo sob o pretexto de realizar um “exorcismo”.
No caso, Costa afirmou que, ao passar mal na frente de um dos templos onde a Universal realiza seus cultos, foi submetido a uma sessão de exorcismo. Disse, ainda, que os “obreiros” da Igreja o teriam levado para o altar, onde acabou desmaiando e teve várias convulsões.
O aposentado declarou, ainda, que após a sessão de exorcismo, foi conduzido ao banheiro e agredido a socos e pontapés. Além disso, os pastores teriam subtraído de seu bolso a quantia que havia retirado do caixa eletrônico antes de passar mal.
Em primeiro grau, o pedido de indenização foi negado. Ao julgar a apelação, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou a Universal ao pagamento de 50 salários mínimos vigentes ao tempo do pagamento. “Não se pode negar que a agressão sofrida pelo apelante e perpetrada pelos obreiros da apelada, com a finalidade de praticarem com ele algum tipo de exorcismo, implica dor e humilhação, passíveis de reparação na esfera civil como dano moral, previsto no próprio texto constitucional”, decidiu.
No STJ, a defesa pretendia o seguimento do recurso especial interposto por ela para afastar a condenação em danos morais.
Ao decidir, o ministro Salomão afirmou que é vedado, ao Tribunal, rever os fundamentos que levaram o TJSP a entender ter sido comprovado o dano moral que deu causa à indenização (Súmula 7/STJ).
Revista Jus Vigilantibus, Terça-feira, 18 de agosto de 2009

Resumo

Até mesmo a igreja tenta intervir em casos de epilepsia como no caso descrito, ao qual um homem foi submetido a um tipo de exorcismo após sofrer uma crise. Atitudes que são muito criticadas no mundo de hoje.

Trabalho Escrito - Textos

Grandes personalidades conviveram com a epilepsia

Escritores e Místicos

A área literária é a que reúne maior número de autores que tiveram epilepsia comprovada é mais fácil por registros escritos. Entre os escritores, o russo Dostoiévski foi o que mais descreveu os estados da epilepsia, antes mesmo da medicina. Ele começou a ter as crises aos 25 anos de idade. Os ataques se prolongaram até a sua morte aos 60 anos. Nestes 35 anos, o escritor teve cerca de 400 crises convulsivas, que eram seguidas de confusão mental, depressão e distúrbios temporários de fala e memória.
Em suas cartas, diários e obras literárias, Dostoiévski relatou as suas sensações características da epilepsia, como os estados de sonhos, pensamentos meditativos, sentimento de culpa, tremor, fuga de idéias, entre outras. Mas a doença para Dostoiévski foi mais um estímulo para ativar a sua genialidade. Ao usar a epilepsia como fonte de inspiração, o escritor venceu o desafio de conviver com ela e, sem tratamento em sua época, comprovou que os ataques não afetam o potencial intelectual e profissional.
O escritor Gustave Flaubert, autor de Madame Bovary, também é um outro exemplo de luta contra os problemas cotidianos da epilepsia. A doença se manifestou aos 22 anos de idade, com crises parciais simples, (com sintomas visuais de curta duração) e depois com crises complexas. Ele também apresentava os sintomas emocionais, como terror, pânico, alucinações, pensamentos forçados e fuga de idéias.
Em certo momento da vida, Flaubert se isolou socialmente e foi morar em Croisset. Para enfrentar as barreiras que a doença impunha, como a dificuldade na memória verbal, em encontrar as palavras, ele chegava a trabalhar 14 horas por dia e se tornou um dos grandes escritores franceses.
Vários outros escritores tiveram epilepsia, como Lord Byron, Dante, Charles Dickens, Leon Tolstói, Edgar Allan Poe, Agatha Christie, Truman Capote e Lewis Carrol. No Brasil o principal caso foi de Machado de Assis, que evitava comentar sobre a doença, numa tentativa de esconder a epilepsia por causa de seus estigmas. Mas os ataques eram freqüentes e foram testemunhados por várias pessoas e inclusive um desses ataques foi registrado pelo fotógrafo conhecido como velho Malta no centro do Rio de Janeiro.
Durante a história, várias pessoas que afirmavam ter revelações, ouvir vozes e ter visões, podem ter sofrido de epilepsia. Esses casos estão presentes entre personalidades de várias religiões, desde o início do catolicismo, do budismo, do islamismo e do protestantismo. Entre os místicos, há vários relatos de visões que podem ser atribuídas aos sintomas de epilepsia, como a luz brilhante que cegou São Paulo no deserto de Damasco, descrita na Bíblia e que o deixou sem enxergar por três dias. Entre outros dados históricos analisados por pesquisadores em neurologia estão as revelações de Buda, obtidas pela meditação que lhe proporcionava as visões e sensações do nirvana ou do paraíso, e de Maomé, que dizia receber os ensinamentos do Anjo Gabriel para escrever o Corão, o livro sagrado do islamismo.
Segundo o neurologista espanhol, Esteban Garcia-Albea, Santa Tereza de Jesus sofria de um tipo diferente de epilepsia parcial, provocada por uma pequena irritação no cérebro, que provocava sintomas afetivos de prazer e felicidade. A santa, nascida em Ávila no ano de 1515, tinha "crises de felicidade". Os sintomas eram; primeiro a aparição de uma luz, depois a paralisia do corpo, as alucinações e no final as sensações de prazer.
A causa dos problemas de Santa Tereza teria sido um estado de coma em decorrência de uma encefalite que a deixou desacordada por quatro dias. Quando já preparavam o funeral, seu pai se negou a enterrá-la e ela despertou com delírios e uma paralisia que a impediu de andar durante quatro anos. É possível que essa doença tenha deixado uma pequena cicatriz no cérebro e tenha causado as "crises de felicidade", que permaneceram por 12 anos.
Outros religiosos que podem ter tido epilepsia são: Martin Lutero, o criador da reforma protestante, e a francesa Joana D'Arc. Aos 43 anos Lutero começou a sentir crises de zumbido, que soavam como uma catarata. Mas a sua doença pode ser explicada também como o mal de Menieri, que causa problemas na região do labirinto e também pode provocar vertigens. Já a heroína francesa, aos 13 anos viveu os primeiros momentos de êxtase, vendo raios de luzes, ouvindo vozes de santos e visões de anjos.
Essas vozes incentivaram Joana D'Arc a guerrear contra a dominação inglesa. As sensações aconteceram até a sua morte aos 19 anos, queimada por heresia na fogueira da Inquisição.
Várias pesquisas são realizadas em todo o mundo para encontrar uma explicação para os fenômenos religiosos relacionados com o funcionamento do cérebro humano, com as suas redes neurais e reações químicas. São experimentos que analisam o comportamento do cérebro durante estados de meditação profunda, sob o efeito de substâncias psicoativas e nas crises epilépticas. O cientista Andrew Newberg, da Universidade da Pensilvânia, fez experimentos com budistas em meditação, aplicando contrastes radioativos para analisar as imagens em um tomógrafo. Os resultados mostraram uma redução na atividade da região do cérebro conhecida como lobo parietal, que controla a orientação. Segundo o cientista, algumas experiências espirituais podem ser explicadas, porque a pessoa perde ou diminui a fronteira entre ela mesma e o mundo, entrando em comunhão com o Universo.

Trabalho Escrito - Textos

Grandes personalidades conviveram com a epilepsia

Pintores e Músicos

O pintor holandês Van Gogh é o maior exemplo da genialidade artística em um caso considerado como epilepsia, como foi diagnosticado pelo Dr. Peyron no asilo Saint-Paul de Mausole em Saint-Remy de Provence. Apesar de que Van Gogh é um caso atípico, com vários fatores que podem ter influído para a sua doença mental que até hoje ainda não foi bem explicada. As causas de suas crises podem ter origem na intoxicação por várias substâncias, como o álcool, o absinto, as próprias tintas e a terebintina, usada como solvente e para secar os pigmentos e que Van Gogh ingeria. Van Gogh tinha também o hábito de comer as suas pinturas, que seria uma conseqüência de seu vício em substâncias com terpenos, presente no absinto, na cânfora e na terebintina.
O pintor sofria de mania aguda e alucinações visuais e auditivas, que o levaram a cortar a própria orelha. Nas cartas enviadas ao irmão Theo, Van Gogh descrevia vários sintomas e as crises que passou a ter após os 35 anos de idade e que continuaram até a sua morte, dois anos depois. Em uma dessas cartas, quando estava internado em Sait-Remy, ele escreveu: "as alucinações insuportáveis desapareceram, estando agora reduzidas a um pesadelo simples, eu penso que em conseqüência do uso que venho fazendo do brometo de potássio", o primeiro medicamento usado para combater crises epilépticas.
Depois dessa internação, Van Gogh procurou o médico homeopata Dr. Paul Gachet que diagnosticou intoxicação aguda por terebintina e lesão cerebral causada pelo sol. O Dr. Gachet foi retratado em dois quadros famosos de Van Gogh, com ramos da planta deda leira, também conhecida como digital (Digita lis purpúrea). No século 18 a deda leira chegou a ser usada no tratamento da epilepsia, mas não há registro de que ela tenha sido receitada e usada por Van Gogh.
Grandes gênios da música apresentaram quadros de epilepsia. Há suspeitas de que o compositor alemão Ludwig van Beethoven tenha tido a doença. Beethoven tinha uma personalidade marcante e no final da vida sofreu com vários problemas de saúde. A partir do 30 anos, ele começou a ter perda progressiva da audição e aos 50 anos estava praticamente surdo.
O compositor também sofria de cirrose hepática. As análises feitas no cabelo de Beethoven indicaram altos níveis de chumbo, provavelmente ingerido através de peixes contaminados. Isto pode ter provocado uma doença conhecida como saturnismo, causada pela intoxicação pelo metal pesado e que provoca transtornos mentais e neurológicos.
Outros nomes de músicos tradicionais são citados na literatura como portadores de epilepsia, como o compositor barroco Handel, autor de O Messias, o italiano Niccolo Paganini, um violinista virtuoso, o compositor francês Berlioz e o russo Tchaikowsky, autor das obras O Lago dos Cisnes e O Quebra-Nozes. Do século 20, há o caso do americano George Gershwin, compositor de canções populares e do roqueiro inglês Ian Curtis.
A história de Curtis é curiosa e trágica. Ele era vocalista da banda Joy Division que foi criada em 1977, numa época seguinte ao estouro do movimento punk. A banda foi a precursora do som soturno e melancólico, que caracterizou o estilo conhecido no Brasil como "dark" ou "gótico". A primeira crise convulsiva do vocalista aconteceu logo após a estréia em Londres. O show foi decepcionante e a crise abalou Curtis. Depois disso, a excitação dos shows levava o vocalista a ter ataques epilépticos em pleno palco.
Quando Ian Curtis tinha convulsões durante as apresentações ao vivo, o público adorava e achava que fazia parte da performance. Até o jeito de dançar de Ian tinha alguns gestos que chegaram a ser comparados aos movimentos das convulsões, mas este estilo já existia antes dele ter a primeira crise. A mulher do vocalista, Deborah Curtis, escreveu o livro Carícias Distantes, onde relata os bastidores da banda. Ela escreveu: "as pessoas o admiravam por aquilo que o estava matando". O estilo mórbido e as letras melancólicas ficaram marcados já nas músicas do primeiro álbum da banda, Unknown Pleasures.
Com os sintomas da doença, Ian Curtis desenvolveu problemas emocionais.
Quando ficava eufórico durante os shows e a crise não acontecia nos palcos, ele só conseguia dormir depois de esperar o ataque. Segundo Deborah, ele tinha medo do sono. Curtis chegou a se separar da mulher e os problemas o levaram a ser internado por ingerir uma alta dose de remédios. Pouco tempo depois, ele se suicidou, enforcando-se em sua casa. Os outros integrantes da banda, Bernard Summer e Peter Hook, formaram em seguida a banda New Order, que fez bastante sucesso nos anos 80 com seu som eletrônico para as pistas de dança.

Alguns atores famosos de Hollywood também sofreram de epilepsia, como Richard Burton, Michel Wilding e Margaux Hemingway. No Brasil, o Imperador Dom Pedro I era considerado um gênio, segundo alguns historiadores, incluindo Pedro Calmon. Apesar de ter recebido pouca instrução, o Imperador se destacava em certas habilidades artísticas e tinha um gênio impetuoso. Dom Pedro I foi o autor da música do Hino da Independência. Segundo os historiadores, ele sofria de epilepsia herdada do lado materno de sua família e antes dos 18 anos já tinha sofrido seis crises.